(continuando) França é o meu nome preferido, embora inventado. Juan Pablo foi tirado de uma novela de Sábato, o argentino que inventou o túnel. Ivan começa com a letra “i ” e isto me desespera. Já fiz 20 anos, dos 30 lembro-me pouco. Talvez eu me chame Aurélio ou Aurel, o primeiro nome de Agostinho, [...]
Monthly Archives: January 2002
Sonho novamente. A água do chuveiro é quente. E a boca de Manuelina está em minha boca. Desço beijando seu queixo, seu pescoço. Detenho-me em seus seios. Pequenas e delicadas luas que se oferecem claras. Não tenho pressa. A água cai mansa naquele corpo de curvas longas e perigosas. sou a própria mansidão e cajado. [...]
De costas para o sol, o mar em frente era-lhe indiferente. Depois do mar, viria a lua e possíveis estrelas. Outro dia iria amanhecer e ele continuaria a tecer, com os fios da memória, os sonhos e enredos. Queria Manuelina, mas Manuelina continuava trancada em mistérios e não acenava com a luz verde.
Ainda consegui ouvir o conferencista dizer que Buda cultivava em seu jardim de delícias a flor do vazio. Não sabia para onde olhar. Respirava fundo e fixava o teto buscando possíveis janelas. E quando a luz apagou para exibição de slides sobre os mostereiros budistas existentes no Brasil, Tereza não perdeu tempo. Aproveitou-se do da [...]
Também passei a olhar firmimente para o orador, enquanto Tereza manobrava com maestria o mapa de meu delírio. A maciez de sua mão acendia cada vez mais o meu farol. Atônito e surpreso deslizei-me na cadeira sentindo os arrepios daquele jogo. Tereza às vezes me olhava de lado e não disfarçava o sorriso matreiro e [...]
A história continua ” Estávamos assistindo a uma palestra sobre a filosofia zen, quando senti a mão de Tereza tateando a região perigosa do meu sexo. Ela olhava fixamente para o orador, enquanto sua mão tentava abrir o meu zíper. Ocultei a cena com o programa que recebi na entrada. Facilitei a sua tarefa, abrindo [...]
(A história continua) O sol bate em minhas costas e o mar, em sua monotonia, continua seu ofício de ir e vir. Tenho vontade de procurá-la nos esconsos do mar. É inútil. Sei de muitas inutilidadesk, por isso continuo vivo. O sol abranda e o vento frio assobia em meus ouvidos. Não quero lembrar-me de [...]
Resolvo contar tintim por tintim a história do homem e do mar. Ou o homem no mar. O mar.Amor:(pra você) Sentado de costas para o sol, ele não tinha idade ou nome. Juan Pablo poderia ser um nome usual para os outros. Para ele, Juan Pablo guardava relíquias e renúncias. Roberto era lhe indiferente. Talvez [...]
Lembranças do mar: (pra você) O corpo na água respira o frio que o mar carrega. A despidada exige perdas. Sempre deixamos alguma coisa em algum lugar. Talvez um olhar na paisagem finda, uma palavra flutuando na esquinas da cidade pequena. Um caderno de desenho e rabiscos, um endereço ilegível e mãos longas de adeuses. [...]