poesia e cachaça

quinta, dia 21, no quintal da Ed. Lê, teremos mais uma edição, aliás, a sexta na Lê: eis o texto:

Poesia e cachaça para Editora Lê – 2014 – Arrumação, alegorias, seleção, produção ronaldclaver

RONALD -COPINHO BRANQUINHO, Ronald
COM UMA PINTINHA PRETINHA NO FUNDO.

SALVE DOM PEDRO PRIMEIRO, SALVE DOM PEDRO SEGUNDO QUE DEIXOU NÓS DOIS PRA GOVERNAR O MUNDO.

VALEI-ME NOSSA SENHORA DE NAZARÉ.
VACA MANSA DÁ LEITE, A BRABA QUANDO QUISÉ.

PINGA QUE DESCE NA GOELA, PINGA QUE DESCE QUEIMANDO, MUIÉ QUE TREPA GRITANDO, NÃO É DEFEITO NÃO, MEU CUMPADRE, É QUALIDADE.

Jair – L’AFFAIRE SARDINHA – José Paulo Paes
O bispo ensinou ao bugre Que pão não é pão, mas Deus
Presente em eucaristia/E como um dia faltasse/Pão ao bugre, ele comeu/O bispo, eucaristicamente
Juçara -POEMINHA DE PARVOÍCE SEM CONTA
ESTAVA ENGARAPADO QUANDO VOCÊ GROSSELHAVA.
A GIRAFA GIRAVA DENTRO DO COPO DE GIM
E A GUILHOTINA PERDEU O FIO DA NAVALHA.
TUDO GRAMÁTICA SEM SUJEITO OCULTO,
DE VEZ EM QUANDO ARRISCAVA UM OBJETO DIRETO
FOI QUANDO OLHEI O ESPELHO E TE VI TRANSPARENTE E PUTA.
ERA A LUA CHEIA? NÃO, NÃO ERA.
ERA A GRAMA QUE GRAMAVA OS OLHOS
ELA NÃO ERA VERDE NEM FUSCA.
ERA UM MERCEDES MARROQUINO
EM MOEDA, MÓI-SE A MANHA E A NÃNA
NÃO HÁ GLOSAS, RIMAS E LIMAS
HÁ GERALDOS , GÊMEOS E GÊNIOS,
GINAS , GENTIOS E GEMIDOS. (ronaldclaver)

Jed -. NESTE MOMENTO E HORA, O POETA DRUMMOND DE ITABIRA DO MATO DENTRO, CANSADO DE SER MODERNO FICA ETERNO NA PAREDE DA MEMNÓRIA, MAS COMO DÓI (ronaldclaver)

Marilena – Quando o poeta Drummond passeava com Clara nos claros jardins daquele tempo, a menina Clara passeava no poema de Drummond e inventava outros jardins que ficaram suspensos nas babilônias e na claridade daquele tempo. Enquanto Drummond passeava nos jardins claros de Clara, Clara colhia no canteiro do coração poeta uma flor de bem-me-quer. (ronaldclaver)

Jair –Consolo na praia – Vamos, não chores… A infância está perdida.
A mocidade está perdida. Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou. O segundo amor passou. O terceiro amor passou.
Mas o coração continua. (Carlos Drummond de Andrade).

Ronald – Não se mate Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe Carlos Drummond de Andrade

Juçara – O quarto em desordem.
Na curva perigosa dos cinqüenta derrapei neste amor. Que dor! que pétala
sensível e secreta me atormenta e me provoca à síntese da flor
que não se sabe como é feita: amor, na quinta-essência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe em tanto gesto de colher e amar
a nuvem que de ambígua se dilui nesse objeto mais vago do que nuvem
e mais defeso, corpo! corpo, corpo, verdade tão final, sede tão vária, e esse cavalo solto pela cama,
a passear o peito de quem ama. CDA

Marilane/cantando: Noite Cheia de Estrelas Compositor: Cândido Das Neves

Noite alta, céu risonho A quietude é quase um sonho O luar cai sobre a mata Qual uma chuva de prata De raríssimo esplendor Só tu dormes não escutas O teu cantor Revelando à lua airosa A história dolorosa Deste amor.

Lua, manda tua luz prateada Despertar a minha amada Quero matar meus desejos Sufocá-la com meus beijos Canto E a mulher que eu amo tanto Não me escuta está dormindo Canto e por fim Nem a lua tem pena de mim Pois ao ver que quem te chama sou eu Entre a neblina se escondeu.

Lá no alto a lua esquiva Está no céu tão pensativa E as estrelas tão serenas Qual dilúvio de falenas Andam tontas ao luar Todo o astral ficou silente Para escutar O teu nome entre as endeixas Nas dolorosas queixas Ao luar.
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Marilane – CANÇÃO DE ALTA NOITE
CECÍLIA MEIRELES

ALTA NOITE, LUA QUIETA
MUROS FRIOS, PRAIA RASA

ANDAR, ANDAR, QUE UM POETA
NÃO NECESSITA DE CASA

ACABA-SE A ÚLTIMA PORTA
O RESTO É CHÃO DO ABANDONO

UM POETA, NA NOITE MORTA
NÃO NECESSITA DE SONO

ANDAR… PERDER O SEU PASSO
NA NOITE, TAMBÉM PERDIDA.

UM POETA, À MERCÊ DO ESPAÇO,
NEM NECESSITA DE VIDA.
ANDAR… ENQUANTO CONSENTE
DEUS QUE SEJA A NOITE ANDADA
PORQUE O POETA INDIFERENTE,
ANDA POR ANDAR – SOMENTE
NÃO NECESSITA DE NADA.

Ronald – lua nova ou minguante

Não importa o rádio ligado
O som alto, a voz rouca
Não me importa se a lua
Está cheia, minguante ou nova
Não importa a cerveja gelada
Seu olho triste, a voz amarga
Não, não me importa nadea
O que me importa
É o seu olho triste
A cerveja gelada
A lua nova ou crescente.

Juçara – O homem, bicho da terra tão pequeno Chateia-se na terra Lugar de muita miséria e pouca diversão, Faz um foguete, uma cápsula, um módulo Toca para a lua Desce cauteloso na lua Pisa na lua Planta bandeirola na lua Experimenta a lua Coloniza a lua Civiliza a lua Humaniza a lua. Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua. Mas esta lua e este conhaque botam a gente comovido como o diabo.

Jair
O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais no meio da alegria, e ainda mais alegre no meio da tristeza.
Eu nasci devagar, sou é muito cauteloso, porque viver é um descuido prosseguido.

Giuseppe Ghiaroni
Pontos de Vista – Jed

Na minha infância, quando eu me excedia,
quando eu fazia alguma coisa errada,
se alguém ralhava, minha mãe dizia:
-Ele é criança , não entende nada!
Por dentro , eu ria satisfeito e mudo.
Eu era um homem, entendia tudo.
Hoje que escrevo histórias e poemas
e pareço ter tido algum estudo,
dizem quando me vêem com meus problemas:
-Ele é um homem, ele entende tudo!
Por dentro, alma confusa e atarantada,
eu sou uma criança, não entendo nada!

AMOR – Marilaner
na curva do poema te encontrei. sua boca sensualizava beijo, molhado corpo revelava o mapa dos desejos: bicos, boca, bunda eram naus, ilhas, rios, montanhas e outros relevos e mares. no portal do encontro, rabisquei palavras perigosas e me perdi em seu fogo. preciso dobrar a esquina deste poema e caprichar na caligrafia de seu corpo. ronaldclaver

Ronald – Algumas frases do Barão de Itararé: o gaúcho Apparício Torelly.
Marilane -O que se leva desta vida é a vida que a gente leva.
Jair – A criança diz o que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer.
.Juçara -Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.
Jed -Mantenha a cabeça fria, se quiser ideias frescas.
Jair -Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.
Marilane -Nunca desista do seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outra!
Juçara -Devo tanto que, se eu chamar alguém de “meu bem”, o banco toma!
Jair -Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta
Jed -O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato.
Marilane- Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo.
Jair – De onde menos se espera, daí é que não sai nada.
Jed -Precisa-se de uma boa datilógrafa. Se for boa mesmo, não precisa ser datilógrafa.

ronald – Poeta russo MAIKOVSK”suicidado” após a revolução de Lenin… escreveu, ainda no início do século XX :

Pena – Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
Todos – E não dizemos nada
Jair -Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
Todos – E não dizemos nada.
Ana -Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
Pena – e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. Dayse- E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

Depois de Maiakovski…
Jair -Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Todos -Eu não era negro
Dayse -Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Todos – Eu também não era operário
Ronald- Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Todos – Porque eu não sou miserável
Ana -Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Ronald – Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Jair – Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Bertold Brecht (1898-1956)

Pena – 21 tipos de Orgasmos Femininos –
ronald1 -Asmática………………..: Uhh… Uhhh…uhhh

Jair -2 -Geográfica……………..: Aqui, aqui, aqui, aqui….

Pena -3 -Matemática……………: Mais, mais, mais, mais…

Jair -4 -Religiosa……………….: Ai meu Deus , ai meu Deus…

Pena -5 -Suicida………………….: Eu vou morrer , eu vou morrer…

ronald6 -Homicida……………….: Se você parar agora, eu te maaaaaatoooo!!!!

jair7 -Sorvete………………….: Ai Kibon, ai Kibon, ai Kibon…

ronald -8 -Zootecnista……………..: Vem, meu macho!!! Vem, meu Macho!!!

Pena -9 -Torcedora……………….: Vai, vai, vai…

ronald -10 -Professora de Inglês. :………… Ohhh !!! YES !!!Ohhh…My…God…!!!

Jair -11 -Margarina……………..: Que Delícia, que delícia…

Pena – 12 -Negativa………………..: Não…. Não…..Não…..

ronald -13 -Positiva………………..: Sim ..Sim… Sim…

pena -14 -Pornográfica…………..: Puta que o Pariu…vai filho da puta….

jair -15 -Serpente Indiana…….: Ssssssssss………. Ssssssssss…

ronald -16 -Professora………………: Sim …. isso ….por aí…..exato….isso…..

pena -17 -Sensitiva……………….: Tô sentindo…. tô sentindo…

ronald – 18 -Desinformada…………: O que é isso ? … O que é isso?…

jair -19 -Degustadora……………..: Ai gostoso… gostoso… gostoso…

pena -20 -Cozinheira……………..: Mexe… Mexe…Mexe…

-21 -Casada……………: Olha só, a empregada não limpou o teto!

Baile da Corte – Oswald de Andrade
Ronald e Jed
R -NO BAILE DA CORTE
FOI O CONDE D’ EU QUEM DISSE
PRA DONA BENVINDA
J -QUE FARINHA DE SURUÍ
R -PINGA DE PARATI
J – FUMO DE BAEPENDI
R- É COMÊ, J- BEBÊ, R – PITÁ, J -E CAÍ
(Oswald de Andrade)

Marilane –
QUANDO EU BEBIA, Pena
FUMAVA E FODIA, TODO MUNDO DIZIA QUE EU ME PERDIA.

HOJE NÃO FUMO, NÃO BEBO, NÃO FODO, SOU DESPREZADO POR TODOS.

POIS VOU COMEÇAR A BEBER, FUMAR E FODER
QUE É PRA TODO MUNDO SABER QUE QUEM BEBE, FUMA E FODE É PORQUE PODE.

A CACHAÇA (trechos)
Juçara
A PRIMEIRA QUEIMA A GOELA
DESCE FORTE E VAI RASGANDO,

Jed
A SEGUNDA REFESTELA
DESCE FRESCA E DESLIZANDO.

Juçara
NAS FESTAS DE “GENTE BOA”
QUASE NÃO SE FALA NELA,
MAS NA “MOITA” A TAL PATROA
É CHEGADA NA “AMARELA”.

Jair
A DANADA SEMPRE AGRADA,
SEJA PURA OU CAIPIRINHA
DENTRE TODAS DESTILADAS,
APRECIO A TAL BRANQUINHA.

Marilane
O SABOR QUE ARDE E QUEIMA
TEM AROMA ORIGINAL,
E APESAR DE TANTA TEIMA
É PREFERÊNCIA NACIONAL.

Juçara
A LENDA DIZ QUE A PRIMEIRA
FOI JESUS QUEM PRODUZIU
O QUE ME REFORÇA A CRENÇA
DE QUE DEUS É DO BRASIL.
luiz angelo vilela tannus

Dayse cantando
Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do Ribeirão
Pode me faltar tudo na vida
Arroz, Feijão e Pão
Pode me faltar manteiga e tudo
Não faz falta não Pode me faltar
O amor Isso eu até acho graça
So não quero que me falte
A danada da cachaça.
Turma do Funil
Chegou a turma do funil
Todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto
Ai, ai ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos e eles que ficam tontos
Chegou a turma do funil
Todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto
Ai, ai ninguém dorme no ponto
Nós é que bebemos e eles que ficam tontos
Eu bebo sem compromisso
Com meu dinheiro, ninguém tem nada com isso
Aonde houver garrafa, aonde houver barril
Presente está a turma do funil

Jair
DEVE-SE QUERER DA VIDA
SEMPRE O LADO MELHOR
SE O VINHO É O SANGUE DO CRISTO
A CACHACINHA É O SUOR (Rangel Coelho de Itaúna)

Ana
BEBE-SE TANTO MEU CHAPA
AGUARDANTE NO BRASIL
QUE ATÉ O NOSSO MAPA
TEM A FORMA DE UM FUNIL (idem)

Ronald
EU BEBO PORQUE PERCEBO
QUE NÃO ADIANTA PARAR
POIS MESMO QUANDO NÃO BEBO
ME EMBRIAGO DE SEU OLHAR (idem)

Dra Neura
Dra. NEURA responde: (atenção, ao responder, utilizar nomes de pessoas presentes. Por exemplo: Meu nome é Lourdinha. Sou da Ed. Lê, etc…

Ouvinte:

- Bom dia Dra. nEURA! Meu nome é Marilane. É verdade que a gente pode engravidar em um banheiro público?
Drª.NEURA:

- Sim! Acho melhor você parar de trepar lá! Próxima!

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Ouvinte:Marilane

- Bom dia Dra. NEURA! Eu sou a Juçar e queria saber porque os homens vão embora logo depois de transar com a gente no primeiro encontro?
Drª.NEURA:

- Porque o encontro acabou. Caso contrário, seria casamento! oUTRA

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Ouvinte: Juçara

- Bom dia Dra. NEURA! Me chamo … e eu tenho um amigo que quer fazer sexo comigo, mas ele tem um pênis de 20cm. Acho que vai ser doloroso, o que faço?
Drª.NEURA:

- Manda ele pra cá que eu testo pra você!! Próxima!

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Ouvinte:

- Bom dia Dra. NEURA! Eu sou a Rosa e eu queria um conselho!
Como faço para seduzir o rapaz que eu amo?
Drª.NEURA:

- Tire a roupa! Se ele não te agarrar, caia fora que é gay! Próxima!

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Ouvinte:

- Bom dia Dra. NEURA! Terminei com meu ex porque ele é muito galinha e estou com outro. Mas ainda gosto do ex e às vezes ainda fico com ele! O que devo fazer?
Drª.NEURA:

- Quem é mesmo a galinha nesta história? Próxima!

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Ouvinte:

- Bom dia Dra. NEURA! Aqui é a Rose e eu queria saber porque os homens se masturbam mesmo quando são casados?
Drª.NEURA:

- Minha amiga…jogo é jogo…treino é treino! Próxima!

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Ouvinte:

- Bom dia Dra. NEURA! Quero saber se a primeira vez dói.
Tenho 21 anos e ainda não transei porque tenho medo de doer e não aguentar…
Drª.NEURA:

- Dói tanto que você vai ficar em coma e nunca mais vai levantar!… Deixa de ser fresca e dê de uma vez…ô Cinderela! Próxima!

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Ouvinte:

- Bom dia Dra. NEURA! Aqui é a Bruna! Eu queria saber se posso tomar anticoncepcional com diarréia…
Drª.NEURA:

- Olha…eu tomo com água, mas a opção é sua! Próxima!

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Ouvinte: O que faço para minha mulher gritar no ato sexual?

- Limpe o pinto na cortina! Próxima!

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Ouvinte:

- Bom dia Dra. NEURA! Sou virgem e rolou pela primeira vez um lance
de fazer sexo oral. Terminei engolindo o negócio e quero saber se corro o risco de ficar grávida. Estou desesperada!!!
Drª.NEURA:

- Claro que corre o risco de ficar grávida! E a criança vai sair pelo seu ouvido! Próxima!

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Ouvinte:

- Bom dia Dra. NEURA! Meu nome é Suzi e eu gostaria de saber qual a
diferença entre uma mulher com TPM e um pitbull?
Drª.NEURA:

- O batom, minha filha! Próxima!

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Ouvinte:

- Bom dia Dra. NEURA! Aqui é o Sílvio e eu gostaria de saber porque
esses furacões recebem o nome de mulheres?
Drª.NEURA:

- Porque quando eles chegam são selvagens e molhados e,
quando se vão, levam sua casa e seu carro junto com eles! Próxima!

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Ouvinte:

- Bom dia Dr.a NEURA! Aqui é o Fred! Me tire uma dúvida…o que
são aquelas saliências ao redor dos mamilos das mulheres?

Drª.NEURA:

- É Braile e significa “chupe aqui”… Próxima!

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Ouvinte:

- Bom dia Dra. NEURA! Quero saber como enlouquecer meu namorado, só nas preliminares.
Drª.NEURA:

- Diga no ouvidinho dele…”minha menstruação está atrasada”! Próxima!

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- Bom dia Dra. NEURA! Aqui é o Gabriel, me diga, porque não se pode confiar nas mulheres?
Drª.Neura

- Como alguém pode confiar em algo que sangra por cinco dias e não morre? Próxima!

______________________________
Ouvinte:

- Bom dia Dra.NEURA! Aqui é a Léia, me diga, porque as mulheres esfregam os olhos de manhã, quando acordam?
Drª.NEURA:

- Porque elas não tem um saco para coçar!

–//–
Marilane – Sem Licença Poética

Mulher é desdobrável
Eu não sou.

Manca.
Atrapalhada
espécie ainda envergonhada

Não sou tão bonita
que não possa ser considerada inteligente
ora sim, ora não, creio em casamento.

No amor, creio sempre
No parto, a dor enaltece
Mas a teimosia é minha sina.

Talvez um dia, Adélia
possa ser eu desdobrável.
A vida ensina
Flávia Drummond Naves

Juçara: – Não me provoque,
tenho armas escondidas…
Não me manipule,
nasci pra ser livre…
Não me engane,
posso não resistir…
Não grite,
tenho péssimo hábito de revidar…
Não me magoe,
meu coração já tem muitas mágoas…
Não me deixe ir,
posso não mais voltar…
Não me deixe só,
tenho medo da escuridão…
Não tente me contrariar,
tenho palavras que machucam…
Não me decepcione,
nem sempre consigo perdoar…
Não espere me perder,
para sentir minha falta…’

(Clarice Lispector)

O Analfabeto Político
ronald:O pior analfabeto é o analfabeto político.

Juçara -Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.

Marilane -Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

Jair -O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.

Juçara -Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta,

Marilane -o menor abandonado,

Todos -e o pior de todos os bandidos,

Jair que é o político vigarista,

Ronald -pilantra,

Marilane e Juçara -corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. Berthold Brecht

Jair
Lembrem-se que a Cia Vale do Rio Doce e a fé
Removem montanhas. (Luis Muller)

Ronald
CHOQUE TÉRMICO – ronaldclaver

O poeta ligadão
Queria aportar no porto da namorada.
Era todo luz, vulcão
Eletricidade.
Houve uma pane
Um curto-circuito no coração da amada
Todos:
E por falta de energia elétrica
O poeta saiu do ar.

Todos:
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo (CDA)

uauuuuuuuuuuuuuuuuuuu

sexta-feira

um objeto indireto acertou a moleira do cachorro de agosto. vento frio vindo da esquina de vidro esfumaçou a mente colorida do gorila. o que ele quer? marmelo, a vara? aumente o poder de seus pentelhos com açaí azul. nada de lápis de breu ou pá de madeira, o deserto é um jardim seco, um rio sem margens e um mar de maremotos e outros dias da semana. uma boa dose de cachaça com absurdo anima este texto cabedelo e cabeludo. o cardápío? filè com molho de salsa e samba. a mulata dança nos olhos, amanhã é sábado e esta prosa toda prosa deixará o limbo do branco, mas sem doer. viva a república do destino pois, pois.

andanças

mês de julho é mês de mudar o coração de pouso.
estou em são joão del rei, mas poderia estar um punta del leste ou no cedro do abaeté.
já estive na bahia, 8 dias em salvador, vi o brasil tomar de 7 dos alemães. agora, os nossos jogadores estrangeiros estão curtindo ibiza, london, paris e outros paraísos e nós aqui. aqui ó, procês, viu? esse negócio de convocar estrangeiro meia boca cheira maracutaia e jogada de empresário. meia boca temos aqui e melhores do que os de lá. depois fui à casa de drummond em itabira para fazer uma noite da poesia e da cachaça. foi formidável, inovidável. karl schumacher, geraldo peninha, dayse belico, ana amélia cabral e eu ficamos encantados com a noite mágica que aconteceu no quintal do poeta. lá conheci um novo conceito de poesia: aldravia, trata-se de um poema de seis linhas. quem está a frente do movimento é o poeta josé sebastião, o J.S. de Mariana. andei cometendo umas aldravias como:
no
amanhecer
dos
olhos
sua
presença

abraçar
o
abraço
abrasa
o

coraçao

estive em sete lagoas ministrando oficinas sobre o escrever criativo, o modernismo brasileiro e o futebol.
depois fui sabatinado pels alunos da E.M. Edwar Lima de Santa LUzia (Palmital) em cima do livro Ana e Pedro – cartas – e agora estou em sjdr ministrando oficinas. amanhã, dia 30, teremos um recital de poemas no bar do carioca em frente à igreja do Carmo. Ufa, já estou sentindo calor.
até

2º poeminha de páscoa

Pessach: poema, travessia e páscoa

Os olhos dela iluminaram meus 40 desejos, tentações. Minhas sandálias caminharam estrelas.
Os olhos dele morenaram minha pele: 40 desertos de fogo, fagulhas.. O calor dele aqueceu meu corpo de oásis e esmeraldas.
No peito, a inscrição do amor contido, cerzido.
No coração, as trilhas e cofres do represado amor.
Uma janela se abriu. Uma ponte se fez.
Nos lábios, o beijo de muita sede.
. Na boca, o gosto de delícias e o beijo molhado de paixão.
Tâmaras, figos, areia, vinho, tenda e o convite para as bodas.
Pérolas, esmeraldas, sedas, rendas e a dança do ventre no corpo outro.
No horizonte, a promessa da travessia.
Nas nuvens, as dúvidas da travessia.
Vamos? Vamos.
O caminhar de mãos atadas,
O voar de tantos pássaros e asas:
o abraçar de mil abraços:
pessach

Como todo mineiro é um pouco filósofo, há um mistério sobre o qual medito há anos: o que é ser mineiro?
De reflexões e inflexões que extraí sobre a mineirice – muitas delas colhidas de metafísicas inscrições em rótulos de cachaça e quinquilharias de beira de estrada – eis as conclusões a que cheguei:
Mineiro a gente não entende – interpreta.
Mineiro não é contra nem a favor; antes, pelo contrário. Aliás, mineiro não fala, proseia. Toca em desgraça, doença e morte e vive como quem se julga eterno. Chega na estação antes de colocarem os trilhos, para não perder o trem. E, na hora em embarque, grita para a mulher, que carrega a sua mala: “Corre com os trens que a coisa já chegou!”.
Mineiro, quando viaja, leva de tudo, até água para beber. E um coração carregado de saudades.
Relógio de mineiro é enfeite. Pontual para chegar, o mineiro nunca tem hora para sair. A diferença entre o suíço e o mineiro é que o primeiro chega na hora. O mineiro chega antes.
O bom mineiro não laça boi com embira, não dá rasteira em pé de vento, não pisa no escuro, não anda no molhado, só acredita em fumaça quando vê fogo, não estica conversas com estranhos, só arrisca quando tem certeza, e não troca um pássaro na mão por dois voando.
Ser mineiro é sorrir sem mostrar os dentes, ter a esperteza das serpentes e fingir a simplicidade das pombas, fazer de conta que acredita nas autoridades e conspirar contra o governo.
Mineiro foge da luz do sol por suspeitar da própria sombra, vive entre montanhas e sonha com o mar, viaja mundo para comer, do outro lado do planeta, um tutu de feijão com couve picada.
Mineiro sai de Minas sem que Minas saia dele. Fica uma saudade forte, funda, farta e fértil.
Enquanto outros não conseguem, mineiro num dá conta. Nem paquera, espia. Não arruma briga, caça confusão. E mineira não se perfuma, fica cheirosa.
Ser mineiro é venerar o passado como relíquia e falar do futuro como utopia, curtir saudade na cachaça e paixão em serenatas, dormir com um olho fechado e outro aberto, suscitar intrigas com tranquilidade de espírito, acender vela à santa e, por via das dúvidas, não conjurar o diabo.
Mineiro fala de política como se só ele entendesse do assunto, faz oposição sem granjear inimigos, gera filhos para virar compadre de político.
Ser mineiro é fazer a pergunta já sabendo a resposta, ter orgulho de ser humilde, bancar a raposa e ainda insistir em tomar conta do galinheiro.
Cabeça-dura, o mineiro tem o coração mole. Acredita mais no fascínio da simpatia que no poder das idéias. Fala manso para quebrar as resistências do adversário.
Mineiro é isso, sô! Come as sílabas para não morrer pela boca. Faz economia de palavras para não gastar saliva. Fala manso para quebrar as resistências do interlocutor. Sonega letras para economizar palavras. De vossa mercê, passa pra vossemecê, vossência, vosmecê, você, ocê, cê e, num demora muito, usará só o acento circunflexo!
Mineiro fala um dialeto que só outro mineiro entende, como aquele sujeito que, à beira do fogão de lenha, ensinava o outro a fazer café. Fervida a água, o aprendiz indagou: “Pó pô pó?” E o outro respondeu: “Pó pô, pô”.
Ser mineiro é comer goiabada de Ponte Nova, doce de leite de Viçosa, queijo do Serro, requeijão de Teófilo Otoni e linguiça de Formiga, tudo regado a pinga de Salinas.
É cozinhar em fogão de lenha com panela de pedra sabão.
Ser mineiro é acreditar mais no fascínio da simpatia que no poder das idéias. É navegar em montanhas e saber criar bois, filhos e versos.
Praia de mineiro é barzinho e, sua sala de visitas, balcão de armazém e cerca de curral. Ali a língua rola solta na conversa mole, como se o tempo fosse eterno. Certo mesmo é que o momento é terno.
Mineiro vai a enterro para conferir quem continua vivo. Nunca sabe o que dizer aos parentes do falecido, mas fica horas na fila de cumprimentos para marcar presença.
Não manda flores porque desconfia que a flora embolsa a grana e não cumpre o trato.
Mineiro só elogia quando o outro virou defunto. E fala mal de vivo convencido de que está fazendo o bem.
Ser mineiro é esbanjar tolerância para mendigar afeto, proferir definições sem se definir, contar casos sem falar de si próprio, fazer perguntas já sabendo as respostas.
Mineiro é feito pedra preciosa: visto sem atenção não revela o valor que tem, pois esconde o jogo para ganhar a partida e acredita que a fruta do vizinho é sempre mais gostosa.
Pacífico, mineiro dá um boi para não entrar na briga e a boiada para continuar de fora. Mas, se pisam no calo do mineiro, ele conjura, te esconjura, jurado e juramentado no sangue de Tiradentes.
Mineiro é como angu, só fica no ponto quando se mexe com ele.
Em Minas, o juiz é de fora, o mar é de Espanha, os montes são claros, a flor é viçosa, a ponte é nova, o ouro é preto, é belo o horizonte, o pouso é alegre, as dores são de indaiá e os poços de caldas.
“Minas Gerais é muitas”, como disse Guimarães Rosa. É fogão de lenha e comida preparada em panela de pedra sabão; turmalina e esmeralda; tropa de burro e rios indolentes chorando a caminho do mar; sino de igreja e tropeiros mourejando gado sob a tarde incendiada pelo hálito da noite.
Minas é Mantiqueira e serrado, Aleijadinho e Amílcar de Castro, Drummond e Milton Nascimento, pão de queijo e broa de fubá.
Minas é uma mulher de ancas firmes e seios fartos, sensual nas curvas, dócil no trato, barroca no estilo e envolta em brocados, ostentando camafeus.
Minas é saborosamente mágica.
Ave, Minas! Batizada Gerais, és uma terra muito singular.

meu primeiro poeminha de páscoa

PESSACH, PASSAGEM/travessia

ELE quer atravessar o deserto daquele coração ELA o quer sem roteiros ou norte. ELE quer atravessar a aridez daquelas dunas. ELA o quer oásis, palmeiras, brisa, luar. ELE não quer a miragem da paisagem daquele corpo, quer a carta de alforria e a magia do corpo dela ELA o quer tâmara, anis, perfume, licor, sabor ELE a quer nos lances e lençóis de seu tapete mágico ELA o quer sede, seda, senda seiva. ELE é nuvem ELA é névoa. Ele traz as ovelhas ELA, as avelãs. ELE é a linha ELA o novelo.ELE é o maná ELA a sarça. ELE quer a terra prometida daquele coração. ELA é a promessa, passagem, paz, paixão .
ronaldclaver

tempus, temporis

há tempos não frequento este espaço. correria, e-mails, oficinas e outros escreveres me afastam deste diário não tão diário.
estou lendo a menina que contava filmes, vi moby dick, me encantei com o corvo de poe e estou na quarentena, amanhã faz 40 dias que não bebo cerveja e assemelhados. de vez em quando cunho um verso, outras vezes soletro versos dos outros e outros e assim caminha a humanidade. preciso ganhar 100 pratas na loteca para ficar bem no saldo, no sábado e só. nada de carros, casas e outras materialidades.
que tal a curva de um poema sacana para esquentar este tempo chuvoso?

na curva do poema te encontrei. sua boca sensualizava beijo, molhado corpo revelava o mapa dos desejos: bicos, boca, bunda eram naus, ilhas, rios, montanhas e outros relevos e mares. no portal do encontro, rabisquei palavras perigosas e me perdi em seu fogo. preciso dobrar a esquina deste poema e caprichar na caligrafia de seu corpo.

oficinas.

oi, turma, em março, depois do carnaval, começam minhas oficinas de escrita criativa.
seguem os endereços:
OFICINAS DE ESCRITA CRIATIVA
por ronaldclaver

Ministradas em

SAC – Sociedade Amigas da Cultura amigasdacultura@hotmail.com –
Av. Prudente de Moraes, 621/803 – F. 3444667
2ª feira de 15h às 16h30min –

OAP/UFMG
Conservatório de música –
3ª feira de 14h às 15h30min.
F.34098300

OAP – Pampulha/Campus/ área de serviços – 2º piso –
4ª feira mesmo horário do Conservatório – 14h às 15h30min.
oapufmg@terra.com.br
Av. Antônio Carlos, 6627 – F. 34094505

ronaldclaver@yahoo.com.br – ronaldclaver.com
(31) 91 14 80 55

ATENÇÃO: NÃO PENSE DUAS VEZES, TRÊS BASTAM.

boipeba

boipeba é um cantinho do paraíso. há duas praias belíssimas: tassimirim e cueira,sem falaR na boca da barra(FICA NO POVOADO). o acesso às duas primeiras é por barco ou a pé. você passa no meio da mata atlântica e cai no mar. há apenas duas ou três barracas. não há vendedores e pouca gente. coisa de doido bom. não há telefone, carro, música alta, pagode, sertanejo. só a música do mar. quer mais?
pra virar o ano

não prometa nada
não se comprometa com
nada (que não vale a pena)
DEIXA O RIO QUE CORRE
O SEU CORPÓ
O
CHEGAR AO MAR
SÓ FAÇA O QUE O CORAÇÃO
MANDAR

um poema para alegrar esta segunda-feira – poema do encontro:

Poema do encontro
para o nosso encontro vou levar
um vaso de primavera para ninguém chorar
um canteiro de girassóis e algumas estrelas cadentes
um verso safado de gregório e uma cançao de ninar de debussy
um coração em pânico e aos pulos e a uma pedrinha de encantamento
uma paixão desmedida de drummond e os cantares do cântico dos cânticos
e um beijo guardado a sete selos