AFINAL, O QUE É CRÔNICA, A ÚNICA MANEIRA DE PERCEBÊ-LA, É FAZÊ-LA. vAMOS À OBRA, caso consiga o seu intento, gostaria de conhecer a sua crônica.
Como diria o cineasta: aÇÃO:
A CRÔNICA
Para pensar: SER CRONISTA É VIVER EM VOZ ALTA Manuel Bandeira -
META:
Deixar que o aluno formule seu próprio conceito sobre o tema focalizado: A CRÔNICA.
LENDO, PERCEBENDO E ESCREVENDO
BRINCANDO COM AS PALAVRAS CRIANDO UM DICIONÁRIO PESSOAL - Um exercício de relaxamento e alongamento, antes de brincarmos com a CRÕNICA:
Dê um outro sentido às palavras que seguem: Ex: AMOR= é como a maré, vai e vem e às vezes fica, outras vezes transborda.
SAUDADE :……………….
ANGÚSTICA:…………….
CERTEZA:…………………
ANSIEDADE:……………..
RAIVA………………………..
RUA:…………………………..
CIDADE………………………
RAZÃO……………………….
PAIXÃO……………………….
AMOR………………………….
ALMA…………………………..
MURO………………………….
PRISÃO…………………………
TEMPO…………………………
>Com os novos verbetes, tente construir um texto leve, breve. Conte um caso, faça um poema, escreva coisas sem sentidos, tudo vale, só não vale a página ficar em branco.
(Espaço para o texto do aluno)
3. Você que lê jornais, revistas, livros, encontra pequenos relatos do nosso cotidiano. Uns chamam estes textos de crônica, outros de coluna, argumentação, etc. Como você chamaria o textos que se seguem?
NOSTALGIA
O futebol de hoje tem certa monotonia de repartição pública. Os jogadores assinam o ponto, cumprem o regulamento, respeitam o Sr.Diretor, desempenham suas obrigações elementares durante noventa minutos de expediente.
O chefe dos jogadores, como em geral chefe de repartição, fica de fora do expediente; é o técnico, o super-homem, o arquientendedor! Prepara o serviço com antecedência e dá entrevistas misteriosas. Os onze funcionários nada mais devem fazer do que executar a tarefa confiada. O pavor do jogador comum é não desagradar o técnico, e o pavor do técnico é não desagradar o craque. Uma faltazinha, e é a demissão, o demérito no boletim, é não ser incluído no próximo jogo.
Mas quem joga mesmo agora é o técnico! Este, com a nova escola, goza uma vantagem; arrola em sua folha corrida as vitórias e põe nos jogadores, seus funcionários, a culpa das derrotas.
Às vezes, acontece o seguinte: primeiro tempo é chato, o segundo tempo melhora. Por quê? Porque o primeiro tempo, invariavelmente, é jogado pelos dois técnicos dos dois times, os jogadores entram em campo para redigir os ofícios, lavrar as ordens de serviço, expedir memorandos e circulares. Como essa burocracia frequentemente dá errado para todos os dois lados, além de aborrecer o público, os dois técnicos, no segundo tempo, concedem um pouco mais de liberdade aos 22 homens em campo. Aí, a coisa melhora. Aí, existe realmente um pouco de futebol à maneira antiga, isto é, futebol invenção e amor… Aliás, cheio de amor, pois o amor inventa tudo…
Paulo Mendes Campos, in O Gol é Necessário: crônicas esportivas/Paulo Mendes Campos; organização Flávio Pinheiro Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.
Pergunta: Como você chamaria o texto de Paulo Mendes Campos?
(espaço para a resposta
CHECK-UP<
Este ano pretendo cumprir rigorosamente a resolução que tomei no fim do ano passado: não mais tomar resoluções de ano-novo. Elas são promessas que fazemos à nossa consciência em que nem a consciência acredita mais. A minha já estava reagindo com bocejos e cada juramento que eu fazia para o ano-novo.
- Vou começar uma dieta. Séria, desta vez.
- Sei, sei.
-Tudo bem.
- Fazer exercícios diários. Usar fio dental. Reler os clássicos. Não tudo ao mesmo tempo, claro.
-Certo, certo.
Mesmo com ar de enfaro, minha consciência não deixa de ser submeter ao exame anual que faço nela, sempre nos últimos dias de dezembro. Uma espécie de check-up moral. Seu estado geral é bom. Não teve grandes provações no ano passado. Fiz algumas coisas que não devia, não fiz outras que devia, nada grave. Vamos poder continuar nos encarando principalmente agora que eliminamos este ridículo ritual das resoluções de fim de ano da nossa relação. O homem maduro é o que desiste da virtude impossível para não perder a possível.
Luís Fernando Veríssimo, As mentiras que os homens contam/Luis Fernando Veríssimo. Rio de Janeiro: Objetiva,2001.
Pergunta: E este do Veríssimo?
(Espaço para a resposta)
UM DEPUTADO, tom irônico, só me trata por poeta. Recordo-me do sentido grego da palavra: Poeta é mestre da verdade. Ele não sabe que poeta é profeta. Usa o verso, ou seja, o outro lada das aparências. É vate, isto é, vaticina, vê além. Destaca-se por perceber um óbvio que escapa às percepção da média. Ah, que glória se eu fosse apenas poeta!…
Artur da Távola. Diário doido tempo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, s/d.p.83.
Pergunta: Este texto de Artur de Távola teria qual nome?
(Espaço para a resposta)
Parte superior do formulário
ATIVIDADE 3
EM BUSCA DE UM POSSÍVEL CONCEITO DE CRÔNICA.
Leremos alguns textos que falam sobre a crônica e apontam caminhos para chegarmos ao conceito pretendido.
Após a leitura dos textos que se seguem, retifique o seu texto, se preciso for:
Em O gênero textual crônica de Heloísa Amaral, da revista Na Ponta do lápis ano 1V número 10 dezembro de 2008, ela diz:
A palavra crônica, em sua origem, está associada à palavra grega Khrónos, que significa tempo . De Khrónos veio chronikós, que quer dizer relacionado ao tempo. No latim existia a palavra chronica para designar o gênero que fazia registro dos acontecimentos históricos, verìdicos, numa seqüência cronológica, sem um aprofundamento ou interpretação dos fatos. {…}
Diz o Novo Aurélio O Dicionário da Língua Portuguesa do Século XXI CRÔNICA. {Do lat. Chronica (nom.pl} S.F. 1. Narração histórica ou registro de fatos comuns, feitos por ordem cronológica. 2.Genealogia de família nobre. 3. Pequeno conto de enredo indeterminado. 4. Texto jornalístico redigido de forma livre e pessoal, e que tem como tema fatos ou idéias da atualidade, de teor artístico, político, esportivo, etc., ou simplesmente relativos à vida cotidiana. 5. Seção, ou coluna de revista ou de jornal consagrada a um assunto especializado.: crônica política; crônica teatral, etc.
Sobre a crônica de Ivan Ângelo. Crônica publicada na revista Veja São Paulo 25 de abril de 2007. Entre outras coisas, o autor nos diz:
Uma leitora se refere aos meus textos como reportagens. Um leitor os chama de artigos. Um estudante fala deles como contos. Há os que dizem: seus comentários. Outros os chamam de críticas. Para alguns, é sua coluna.
Estão errados? Tecnicamente, sim são crônicas -, mas Fernando Sabino, vacilando diante do campo aberto, escreveu que crônica é tudo que o autor chama de crônica.
A dificuldade é que a crônica não é um formato, como o soneto, e muitos duvidam que seja um gênero literário, como o conto, a poesia lírica ou as meditações à maneira de pascal
Há crônicas que são dissertações, como em Machado de Assis; outras são poemas em prosa, como em Paulo Mendes Campos; outras são pequenos contos, como em Nelson Rodrigues; ou casos, como os de Fernando Sabino; outras são evocações, como em Drummond e Rubem Braga. (…)Cronista mesmo não se acha. Rubem Braga não se achava o tal. Respondeu assim a um jornalista que lhe havia perguntado o que é crônica:
- Se não é aguda, é crônica.
O autor; Ivan Ângelo é mineiro de Barbacena, Minas Gerais. Escreveu entre outros, A Festa(Premio Jabuti). Seu novo livro, Melhores Crônica, atrai o leitor pelo título, prende-o desde a primeira frase e só liberta na última linha, segundo o articulista da Revista Veja.
Carlos Herculano Lopes que escreve uma crônica toda terça-feira no jornal Estado de Minas também respondeu aos leitores o que é crônica? Confesso que, embora játenha escrito quase 500, ainda não tinha pensado em defini-la, se é que seja possível. Acho que é um olhar. Creio que sim, porque, desde que comecei a escrevê-las, passei a enxergar as coisas ao meu redor de outra maneira, com mais sensibilidade. A prestar mais atenção à vida que gira em torno de nós. Uma mulher assentada em um banco da praça, por exemplo, pode dar uma crônica. Essa poderia começar assim: Em que ela estará pensando? Será casada? Terá filhos? Onde terá nascido? Certa vez, caminhando pelo meu bairro o Santo Agostinho, em uma tarde de ventania, vi uma revoada de folhas que caiam de uma castanheira. Cheguei em casa, liguei o computador e escrevi uma história descrevendo essa cena. De outra vez, caminhando na praça da Assembleia, vi quando uma menina negra, que pedia esmolas com a sua mãe, se aproximou de uma outra, branca, bem-vestida, que andava de bicicleta. Pediu a ela na inocência infantil para dar uma volta. A branquinha, tão apavorada, atravessou a avenida Olegário Maciel em disparada correndo o risco de ser atropelada. Certamente, achando que a outra queria roubá-la.
Impressionado com aquilo escrevi outra crônica. Provavelmente, não fosse pela necessidade semanal de publicá-la talvez nem estivesse prestando atenção nessa história quer ajuda a traduzir o imenso abismo que esiste entre os dois brasis: o rico e opulento, comandado por uma elite insensível; e o outro pobre miserável, ali representado por aquela pobre menina negra. A única coisa que ela desejava, mas a outra não compreendeu, porque também era uma criança, era dar uma voltinha na sua bicicleta. (…)
O autor. Carlos Herculano escreveu Memórias da Sede, O Sol nas Paredes, A Dança dos Cabelos, O Vestido, entre outros.
De posse das informações lidas, herdadas, adquiridas, será que podemos dizer que a CRÔNICA éum modo de ver da realidade das coisas? É um relato pessoal, transparente e claro? Uma resposta aos apelos do mundo? Uma opinião? Uma maneira de contar as coisas que estão diante dos olhos? E você acha o quê?
Você pode começar o seu texto assim: Para mim, crônica é………………………………………
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(Espaço para a resposta do aluno)
ATIVIDADE 4
AINDA BRINCANDO: Deixe sua sensibilidade solta e se solte nos exercícios que se seguem:
Continue a crônica de Renato Barreto de Carvalho do livro CRÔNICAS IMPERTINENTES. Da Scor Editora Tecci.
AS RUAS DE UMA CIDADE:
As ruas de uma cidade podem ser comparadas às veias no corpo de um ser humano. É nelas que corre a vida, que se desenrolam os dramas e as tramas do cotidiano. Assim como as cidades são diferentes uma das outras, as ruas também o são. São únicas, têm personalidade. Têm alma própria, cheiros, cor, formatos individuais que interferem na vida de quem passa por elas, de quem mora nelas, de quem se perde no meio delas em especial. As ruas têm…………………………………………………………….
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(Espaço para as palavras do aluno)
1. Faça o contrário. Daremos o fim e você fará o início; MUROS E PRISÕES
O confinamento dos homens em seus apartamentos e casas, assessorados por eletrodomésticos e utilidades do lar, protegidos por cães sanguinários e muros altos, afasta uns dos outros, dificulta o diálogo, distorce a compreensãoda realidade. Só pode conduzir à alienação. Então, os muros terão se tornado eficazes prisões.
(Espaço para o exercício)
Você observou que a CRÔNICA tem uma linguagem clara, transparente. É uma narrativa leve, às vezes, humorística, às vezes satírica, às vezes lírica, amorosa. Não há conflito nesta narrativa. Éum contar sem fim e faz bem ao coração e aos olhos.
ATIVIDADE 5
FAÇA UMA CRÕNICA, o tema é livre, mesmo assim SUGERIMOS ALGUMAS SITUAÇÕES E PALAVRAS.
LEMBRETE:
A linguagem deve ser clara, transparente.
Prefira as frases curtas.
Use e abuse dos substantivos.
Tenha cuidado com os adjetivos e advérbios.
Primeiramente escreva tudo que vier à mente. Depois, com muita paciência e cuidado você corte os excessos.
Sugerimos:
ACONTECE O VERÃO
Faça uma crônica sobre O VERÃO. Alguns ingredientes:
Dezembro, janeiro, fevereiro. Calor Praia- Férias- Fazenda-Viagem- Chuva- Cidade do Interior- Paqueras- Namoro-Lápis de cor vermelho-Cidade colorida -Inundações- Livro- Filme- Passeio - Projetos- Promessas- Esperança.
PRÁTICA - TODO DIA É TODO DIA
faça um crônica sobre o seu dia-a-dia. Ingredientes:
Situação do país, situação de minha cidade, o emprego ou falta dele.
A condução minha mãe ou meu marido meus filhos ou amigos. Um churrasco reunião da turma mutirão para limpeza da rua livro lido, o tempo, etc.
Outros lembretes:
Assim como o CONTO, o ROMANCE, a NOVELA, A CRÕNICA pertence ao GÊNERO NARRATIVO.
Pesquise mais sobre a Crônica. Busque nos livros de literatura, nas enciclopédias, nos dicionários e na internet outros estudos e conceitos sobre a CRÔNICA.
Dimensão Livro altamente recomendável pel a FNIJ) Escrever e brincar (Ed. Autêntica) e A arte de escrever com arte (Ed.Autêntica).